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Dados do inferno

Autor - Amélia de Fátima Aversa Araújo - em 

24 de abril de 2020 - Atualizado às 17:54

A pandemia de Covid-19 trouxe desafios, aguçou crises, expôs diferenças e algumas surpresas.

Se é verdade que o ser humano não mudou em milhares de anos, também é verdade que distintas realidades levam a uma alteração no cenário da criminalidade, quer porque surgem novas formas de cometimento de velhos delitos, quer porque algumas infrações são recém-nascidas violações de bens jurídicos pós-modernos.

Houve diminuição significativa de crimes de homicídio e lesões corporais, de trânsito e mesmo de roubos: há menos gente e veículos em circulação, menos estabelecimentos noturnos abertos, menos consumo de drogas em áreas tais. Muitas ocorrências permanecem as mesmas, ou quase: “cracolândias”, tráficos variados. Por outro lado, outras categorias de ilícitos dispararam: crimes cibernéticos (fraudes e golpes utilizando-se da epidemia, invasão de dispositivos informáticos, utilização indevida de dados pessoais, pornografia virtual), e, obviamente, contra a saúde pública, contra o consumidor e a economia popular, e abusos de autoridade.

Consta que o número de casos relacionados à violência doméstica contra a mulher aumentou devido ao isolamento social. Agressões físicas, morais, patrimoniais e sexuais. O convívio em maior período de tempo entre quatro paredes, as incertezas do mercado de trabalho e a perda de renda, ingestão de bebidas alcoólicas, tudo isso acirra diferenças, aprofunda situações traumáticas anteriores. Abusos infantis e contra idosos reforçam uma guerra em miniatura em que os lados podem ter forças muito distintas, ou não, mas as consequências laterais podem ser irreversíveis.

O que fazer? Se você estiver atravessando o inferno, continue. Não pare! É o conselho atribuído, comumente, a Churchill.

Amélia de Fátima Aversa Araújo

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