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Rinhas

Autor - Amélia de Fátima Aversa Araújo - em 

17 de dezembro de 2019 - Atualizado às 11:36

A palavra “rinha” designava, originalmente, as brigas de galos, confrontos forçados entre as aves, para deleite e lucro dos primatas. Nos dias de hoje designa, também, as lutas entre cães, de modo geral, de grande força e porte.

Essa semana foi descoberta uma organização internacional de rinhas de cães “pit bulls” em Mairiporã e em Itu, São Paulo. Eram dezenas de cachorros em um cenário monstruoso. Havia estrangeiros entre os integrantes da empreitada, e também um médico e um veterinário, que “reanimavam” os cães para as lutas ferozes. Os cães eram maltratados de tal forma, que mesmo os agentes públicos e integrantes de ONGs ficaram pasmos. Mantidos com fome e sede extremas, enlouquecidos, os animais eram jogados para os embates. Feridos, eram sadicamente expostos a intenso e longo sofrimento. As carcaças dos mortos serviam de alimento canibal. Mas os cães também se tornavam churrasco para os humanos: assados, uma iguaria para os participantes dos jogos fantásticos. Descobriu-se um criadouro desses cães, no Paraná, para fornecer os “lutadores”.

O abuso contra aqueles que sentem, e são indefesos, se afigura como algo que a mentalidade mais moderna rechaça. A civilização, mais e mais, reprova essas condutas.

Pode ser por cupidez, crueldade, patologia da alma ou neurológica, morbidez social ou por imitação, esse comportamento tem sido reprimido pelo Direito. Associação criminosa, maus-tratos aos animais, jogos de azar não autorizados, mas tudo ainda considerado “menor”. Num mundo de crimes superlativos, a tortura gananciosa e recreativa em face dos animais parece, aos olhos de muitos, como algo de somenos importância. Noticiou-se que teriam sido detidas 41 pessoas em razão desses fatos; 40 soltas sob fiança e uma permanecia presa.

O mal se tornou corriqueiro nesse mundo psicopata raiz. Talvez as estrelas já se tenham apagado na ribalta, e a plateia aguarde em silêncio enquanto as cortinas caem.

Amélia de Fátima Aversa Araújo

#aversaaraujoadvogados

Ilustração: “Cães de combate recuperando o fôlego”, 1818, Edwin Henry Landseer.