Sobre as mães e a esperança
Autor - Amélia de Fátima Aversa Araújo - em
10 de maio de 2020
- Atualizado às 18:08
Que época a nossa! Estar na UTI, acabar a energia e morrer por falta de bateria em ventilador mecânico porque o gerador não ligou imediatamente. Na convergência de causas, nas concausas que levam a um resultado, o fim do mundo pode ser particular ou coletivo, em doses homeopáticas ou cavalares. Entender que, de repente, um universo inteiro se extinguiu ali: memórias, emoções, pensamentos, histórias, para nunca mais se repetir.
Nas mãos do imponderável, na roleta macabra da sorte, a esperança permanece escondida no fundo caixa: o último dos males a ser libertado. Estranho pensar que os antigos imaginavam a esperança como um mal, uma desgraça, algo que os deuses, inclementes, reservaram a um bando de miseráveis impotentes.
E aí surgem as mães. A ancestralidade biológica mais evidente que se traduz no tecido espiritual mais insuspeito. Civilização que se materializa em cuidar, embalar, ensinar, doar-se inteiramente. As mães resgatam a esperança e a transformam: não é mais desdita, mas força, coragem, temperança, resiliência. Oração. Vida.
Que seja feliz o Dia das Mães. E todos os outros dias. É o que desejamos. E esperamos.
Amélia de Fátima Aversa Araújo
Ilustração: “O primeiro sorriso”, detalhe, 1853, Johann Georg Meyer von Bremen.